terça-feira, 9 de maio de 2017

Tecnologia para construção





Parede-diafragma


Confira todas as etapas de construção desse tipo de tecnologia para contenção de taludes

Reportagem: Giovanny Gerolla
Edição 57 - Março/2013

Paredes-diafragma são uma tecnologia de contenção de solos normalmente associada a tirantes. No entanto, nem sempre as condições de resistência do solo e de recuo de terreno em relação a construções vizinhas permite o uso de tirantes. 

Ainda assim, essa tecnologia pode ser viável, conforme explica o engenheiro Fadi Tanios El Khouri Hanna, da Sages Engenharia. "Escavamos o solo até encontrar rocha ou solo firme, onde o travamento das paredes é feito. Depois, isolamos o buraco escavado com chapas-espelho metálicas e concretamos, retirando as chapas à medida que se dá a cura do concreto."



 
Passo 1
As ferragens são preparadas em lamelas, neste caso com 2,5 m de largura. Prontas, devem ser armazenadas de modo que não fiquem sujas de terra ou lama.






          
 
Passo 2
Em todo o perímetro, canaletasguia ajudam a orientar a escavação com clamshell. Elas são formadas neste caso por duas vigas de concreto armado com 1,10 m de altura, paralelas e distantes 43 cm entre si. Ao final do processo, elas são destruídas.



Passo 3
A escavação é feita com o guindaste clamshell. Neste caso, a profundidade atingida é de 12 m. As aberturas são feitas a cada 2,5 m, onde as lamelas metálicas serão inseridas. A lama retirada é depositada até secar e, depois, é levada para fora do canteiro.



Passo 4
As lamelas metálicas são içadas por guindaste e inseridas nos pontos escavados.


Passo 5
Nas alças das armaduras são passadas travas de segurança que as mantêm suspensas 20 cm em relação ao fundo do buraco escavado para que o metal não toque a terra.

 
 
Passo 6
O tubo por onde a paredediafragma será concretada é içado pelo guindaste e direcionado para o ponto central da armadura. Ele deve atingir o ponto mais profundo da escavação, uma vez que a concretagem acontece de baixo para cima.



Passo 7
Quando um único tubo não é suficiente para atingir a profundidade, um segundo é içado e rosqueado ao que já foi inserido no buraco.

 
 
Passo 8
O bocal do tubo é deixado pronto para receber o funil por onde a betoneira despejará o concreto.




Passo 9
Chapas-junta são inseridas nas laterais de cada armadura, separando umas das outras.


Passo 10
Ao mesmo tempo, a bomba por onde circula lama bentonítica é ajustada para sugar o material expelido no fundo do buraco à medida que a concretagem avança.

 
 DICA                                                                                             

Dois silos de lama bentonítica utilizada para evitar desbarrancamentos e selar os poros do solo e um de água fazem a mistura que é enviada para os buracos, e recebem a lama que sai de lá após a concretagem. O transporte é feito por bombas.
Passo 11
O concreto é despejado pelo funil, passando pelo tubo até chegar à sua extemidade, onde ocorre a expulsão de uma bola que ali havia para evitar o acesso de lama bentonítica ao interior do tubo. A parede-diafragma é executada, então, em toda a sua profundidade.



Passo 12
Depois de curado o concreto, prepara-se o coroamento das paredes-diafragma. O primeiro passo é limpar a lama que se acumulou sobre a superfície.


Passo 13
O chamado concreto "podre" é retirado com um martelete. Nesse momento são afastadas as canaletas-guia, que orientaram as escavações.



Passo 14
São instalados os painéis de madeira que servirão de fôrma às vigas de coroamento da parede-diafragma. Depois de concretadas e curadas, essas vigas darão apoio à laje do piso térreo do edifício em construção.


Passo 15
Por fim, toda a lama previamente escavada é retirada do canteiro de obras por caminhões.

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Manutenção é conhecer o produto certo



Kits hidráulicos industrializados garantem obras mais rápidas
Instalação da solução não requer mão de obra especializada. Conheça outras vantagens do produto
Redação AECweb / e-Construmarket

Optar pela utilização de kits hidráulicos industrializados em uma obra pode trazer inúmeras vantagens, a começar pelo fato de que a instalação do produto chega a ser quatro vezes mais rápida do que os processos convencionais, acarretando maior velocidade na construção. “Outro benefício é a padronização, que garante o alinhamento e a altura dos pontos hidráulicos”, acrescenta Carlos Alberto Galdi Sanches, diretor Geral da MateconKits.
“O uso do material também ajuda a retirar a responsabilidade artesanal da construtora e instaladora, passando-a para as indústrias. Dentro das fábricas, os kits são produzidos em ambientes controlados”, complementa Cleverson Aislan Callera, coordenador Nacional de Vendas Técnicas da Astra. 



O mercado disponibiliza kits com materiais que atendem diversas necessidades (holbox/ Shutterstock.com)

Entre as vantagens dos kits hidráulicos industrializados está a redução de até 50% da quantidade de mão de obra necessária, pois desvincula a instalação hidráulica da estrutura. Essa característica permite maior flexibilidade no planejamento do cronograma do canteiro, já que a execução do sistema não estará atrelada à da estrutura. “Os kits contribuem, ainda, para solucionar a falta de profissionais qualificados no mercado. O produto pode ser perfeitamente instalado por trabalhadores que receberam treinamento simples na própria obra”, fala Sanches.

A solução gera benefícios também para o setor de compras da construtora, que terá de administrar menor quantidade de itens. “Isso acontece porque os diferentes elementos que compõem o sistema hidráulico são substituídos pelo kit. É uma redução expressiva”, comenta Callera.

Além de todas as vantagens já citadas, Sanches menciona a redução de desperdícios de componentes provocados por instalações erradas, além de diminuição expressiva do número de conexões e pontos de patologias. 

O produto em si não apresenta desvantagens. O problema surge quando a construtora escolhe mal o fornecedor. O kit é uma caixa preta e alguns fabricantes não incluem todas as peças e acessórios necessários para a instalação perfeita, o que acaba comprometendo todo o sistema. “Com isso, o custo final não fica tão claro, surgindo algumas surpresas no final da obra. Daí, a importância de optar por marcas já estabelecidas e tradicionais no mercado. A construtora contará com produto 100% testado e com garantia de fábrica”, complementa Callera.

Fabricação e utilização
Os kits hidráulicos são fabricados com tubos e conexões de sistemas de condução de fluidos (PEX, PPR, CPVC, PVC ou Cobre). Esses materiais passam por processo de montagem e são agregados a outros componentes, como registros e válvulas. Em seguida, a solução pode ser fixada em uma estrutura metálica modular, produzida em chapa galvanizada, para instalação em drywall, steel frame ou shafts. Se for planejada para alvenaria, dispensa essa estrutura metálica. “O funcionamento de cada produto dependerá de sua utilização, ou seja, se será para condução de água fria, água quente, esgoto ou gás”, diz Sanches.

TIPOS DE KITS
O mercado disponibiliza desde os materiais mais simples, que atendem à distribuição de água fria, até aqueles muito complexos, que podem substituir completamente uma instalação feita dentro de um shaft. “Atualmente, são comumente adotados por diversas construtoras os kits de chuveiros, aquecedor, chicote e esgoto”, informa Sanches, lembrando que cada uma das soluções apresenta características próprias. Os kits de chuveiros são compostos por um conjunto de tubos, conexões e registros, fixados em estrutura metálica que posiciona e sustenta os registros e o ponto de consumo do chuveiro. O sistema é fabricado em PEX, PVC, PPR, CPVC, cobre ou composição mista. 

Os kits contribuem para solucionar a falta de profissionais qualificados no mercado. O produto pode ser perfeitamente instalado por trabalhadores que receberam treinamento simples na própria obra. Carlos Alberto Galdi Sanches.

O kit aquecedor conta com travessas ou quadros metálicos, que devem seguir projeto prévio, e cumprem a função de sustentar o aquecedor. Além disso, o sistema tem ainda registros e manifolds, responsáveis pela distribuição dos pontos de consumo de água e gás. “Já o kit chicote apresenta trechos de tubos PEX agregados com conexões e acessórios de acabamento (coifa, capa cromada ou canopla). São fabricados sob medida para atender à distribuição de pontos de consumo, como lavatórios, bacias sanitárias e pias de cozinha”, explica Sanches. 

O kit esgoto tem estruturas metálicas que sustentam as tubulações e garantem o alinhamento e altura do sistema. Pode ser fabricado para pias de cozinha com saída para máquina de lavar louças, ou tanque com saída de máquina de lavar roupas e lavatórios. São acompanhados por acabamento em PSAI ou metálico com pintura epóxi. “Todos os materiais passam por rigoroso processo de ensaio interno na fábrica, seguindo para o canteiro com lacre de garantia e etiqueta de rastreamento”, ressalta Sanches. Cada sistema é identificado de acordo com o ambiente onde será utilizado. Outra informação que o produto deve apresentar é sobre o fluido que será conduzido, pois essa indicação evita problemas futuros caso sejam necessárias manutenções.

ESPECIFICAÇÃO
Segundo Callera, a especificação dos kits hidráulicos precisa ser definida na fase inicial de projeto. “Quanto mais precoce for a decisão, menores serão os custos de industrialização do sistema”, destaca. É comum que os fabricantes recebam projetos sem os kits especificados. Quando isso acontece, o departamento de projetos da fábrica estuda o cenário para apresentar a melhor solução. “Normalmente, esse trabalho é feito pelo setor de engenharia ou instalação, que deseja padronizar e agilizar a execução da obra”, complementa Sanches. Toda indústria séria, idônea e com responsabilidade deve cumprir plenamente as diretrizes 

Cleverson Aislan Callera
Em edificações residenciais, por exemplo, o momento ideal de optar pelos kits hidráulicos é antes da montagem do apartamento modelo. Assim, o fabricante poderá validar junto da construtora os materiais que serão instalados usando o molde. “Essa etapa é a mais crítica e a que necessita de maiores cuidados”, fala Callera, referindo-se à análise e identificação de detalhes que não constam no projeto, mas que fazem total diferença no orçamento da obra e no desenvolvimento dos kits. Com todos os projetos executivos assinados, a indústria começa a produzir os kits. 

A principal atenção no momento de adequar o projeto hidráulico da edificação com o kit industrializado está relacionada com as dimensões das tubulações. Os canos devem ser pensados para garantir que os pontos de consumo recebam o volume correto de água. O projeto do empreendimento precisa prever como a solução será instalada, ou seja, se terá estrutura metálica própria, estará em shaft ou se terá espaço pré-definido de corte na alvenaria.

LOGÍSTICA E INSTALAÇÃO
Após produção do material, a fábrica e a construtora definem o cronograma de entrega. “A programação é fundamental para não acumular material no canteiro e também auxiliar o fabricante a trabalhar de maneira ordenada. Geralmente, a construtora recebe os kits na semana da instalação”, comenta Callera. Quando chegam no canteiro, os produtos estão embalados e identificados, podendo serem encaminhados aos seus locais de instalação.
A instalação dos kits é simples, porém apresenta particularidades em função do tipo de sistema. Se for executado em drywall, steel frame ou shafts, o primeiro passo é a fixação dos quadros metálicos nos montantes pré-definidos. Nas estruturas de alvenaria, o produto é embutido no espaço adequado. A recomendação principal é sempre respeitar as alturas dos pontos projetados e as passagens da tubulação, onde os kits serão interligados com as prumadas, ramais ou sub-ramais.

OTIMIZAÇÃO DE CUSTOS
Os kits hidráulicos proporcionam otimização de custos da obra, uma das vantagens da industrialização. “As construtoras buscam maior velocidade em seus processos. Com isso, os subsistemas têm de acompanhar o ritmo acelerado”, destaca Callera. Como a solução chega já pronta ao canteiro, a etapa de montagem não existe e a obra é agilizada. “Temos informações de muitas construtoras que conseguem montar quatro apartamentos com a mesma equipe por dia, o que significa redução de 75% do tempo, ou seja, o time é quatro vezes mais produtivo”, fala Callera. 

QUALIDADE
Os kits hidráulicos não têm norma técnica específica, mas existem normas para cada produto que compõe o sistema. “Toda indústria séria, idônea e com responsabilidade deve cumprir plenamente as diretrizes”, reforça Callera.
“Entre os documentos estão a ABNT NBR 7198 - Projeto e execução de instalações prediais de água quente, ABNT NBR 5626 - Instalação predial de água fria, ABNT NBR 8160 - Sistemas prediais de esgoto sanitário - Projeto e execução, e a ABNT NBR 15575 - Edificações Habitacionais – Desempenho”, finaliza Sanches.

Colaboração técnica
Cleverson Aislan Callera – Engenheiro Civil pela Universidade São Francisco com MBA em Gestão de Novos Negócios pela Fundação Vanzolini. Atua no mercado da construção civil há 20 anos, com amplo envolvimento com novas tecnologias. Ocupa o cargo de coordenador Nacional de Vendas Técnicas na Astra.
Carlos Alberto Galdi Sanches – Tecnólogo em Edificações e Sistemas Hidráulicos pela Faculdade de Tecnologia Dimensional. Tem experiência em instalações hidráulicas prediais e industriais, sendo que nos últimos 13 anos vem atuando no desenvolvendo de kits hidráulicos. É diretor geral da MateconKits.

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